Há um paradoxo nos dados que me intriga desde que os li pela primeira vez. Os fãs de Fórmula 1 são os que mais apostam online entre os seguidores das grandes ligas desportivas — mais do que os fãs da NBA, da NASCAR ou da NFL. E no entanto, a maioria desses mesmos fãs não aposta em automobilismo. Apostam em futebol, em basquetebol, noutras modalidades. A F1 tem os apostadores mas não consegue captá-los para o seu próprio mercado. Esta desconexão é simultaneamente o problema e a oportunidade.
28% apostam, mas só 22% apostam em automobilismo
A YouGov, no seu relatório Global Gambling Profiles de abril de 2025, começou por observar que a F1 estava a acelerar as suas ambições no segmento de apostas. O dado mais revelador: 28% dos fãs de F1 fizeram apostas online nos últimos 12 meses. Na NBA, esse número é de 25%. Na NASCAR, 21%. Na NFL, 16%. Os fãs de F1 são, por larga margem, os mais ativos no mercado de apostas desportivas.
Mas aqui está a desconexão: apenas 22% dos fãs de F1 que apostam fizeram apostas especificamente em automobilismo durante o mesmo período. Ou seja, quase quatro em cada cinco apostadores que são fãs de F1 apostaram noutras modalidades — futebol, ténis, basquetebol — mas não no desporto que mais acompanham. O motivo não é desinteresse. É falta de oferta. Os mercados de F1 são mais limitados, as odds são por vezes menos competitivas e a experiência de aposta não acompanha a riqueza de dados que o desporto gera.
Estes dados explicam a movimentação comercial da F1 nos últimos 18 meses: a parceria com a ALT Sports Data para dados oficiais, o acordo com a Betway como primeiro Official Betting Operator. Não são decisões isoladas — são respostas diretas ao facto de o desporto ter uma base de apostadores pronta mas mal servida.
Idade e gasto — jovens, com ticket médio alto
O perfil demográfico do apostador de automobilismo é distinto. Segundo a YouGov, 58% dos apostadores de automobilismo têm entre 18 e 34 anos — o segundo perfil mais jovem depois dos apostadores de futebol, onde 68% estão nessa faixa. Esta juventude é relevante porque apostadores mais jovens tendem a ser digitais, a preferir mercados ao vivo e a valorizar a experiência interativa.
O dado que mais surpreende os analistas do sector é o gasto mensal. 31% dos apostadores de automobilismo gastam mais de 100 dólares por mês em apostas e fantasy sports. É o valor mais alto entre todas as grandes modalidades — acima dos apostadores de NFL, NBA e futebol, onde a percentagem é de 27% ou menos. Em termos práticos, os apostadores de F1 apostam com mais frequência e com tickets mais elevados do que os de desportos mais populares.
Esta combinação — jovens, digitais, com gasto elevado — é o perfil que as operadoras de apostas mais valorizam. É também o perfil que melhor responde a mercados inovadores, dados em tempo real e experiências de aposta ao vivo. A F1 tem o público ideal para o produto que está a construir; falta executar a oferta.
Que operadoras preferem os apostadores de automobilismo
Segundo os dados da YouGov, a Bet365 é a operadora mais utilizada entre apostadores de automobilismo: 41% declararam tê-la usado na última semana. A DraftKings segue com 32% e a FanDuel com 30%. Estes números refletem o peso do mercado americano e britânico na amostra, mas indicam que os apostadores de automobilismo tendem a concentrar-se em operadoras de grande dimensão com oferta diversificada.
Para o apostador português, a leitura é diferente. O mercado regulado pelo SRIJ limita as opções às operadoras licenciadas em Portugal, e as plataformas dominantes nos dados da YouGov podem não operar no mercado nacional. Mas a tendência é relevante: os apostadores de F1 preferem plataformas que oferecem profundidade de mercados e funcionalidades avançadas como apostas ao vivo e cash out. As operadoras que investirem nessas funcionalidades para a F1 serão as primeiras a captar este segmento subexplorado.
Um aspeto que os dados confirmam é que os apostadores de automobilismo não são fiéis a uma plataforma. A utilização distribuída entre três operadoras — nenhuma acima de 41% — indica que os apostadores comparam e migram com facilidade. Para as operadoras, isto é um desafio de retenção. Para o apostador, é uma confirmação de que comparar odds entre plataformas é um comportamento comum e racional, não uma exceção.
A entrada da Betway como Official Betting Operator pode alterar esta dinâmica. Uma operadora com acesso privilegiado a dados oficiais e a mercados exclusivos tem potencial para captar apostadores que até aqui se dispersavam entre plataformas diferentes. Não é certo que isso aconteça a curto prazo, mas a infraestrutura está a ser construída. Para compreender a escala de audiência que sustenta estes números, vale a pena ler sobre a explosão da audiência da F1 e o seu efeito nas apostas.
Perguntas sobre o perfil do apostador de F1
Qual a percentagem de fãs de F1 que apostam em desportos?
Segundo a YouGov, 28% dos fãs de F1 fizeram apostas online nos últimos 12 meses — a taxa mais elevada entre fãs de grandes ligas desportivas. No entanto, apenas 22% dos que apostam fizeram apostas especificamente em automobilismo.
Os apostadores de automobilismo gastam mais do que os de outros desportos?
Sim. 31% dos apostadores de automobilismo gastam mais de 100 dólares por mês em apostas e fantasy, o valor mais alto entre todas as grandes modalidades analisadas. O perfil é jovem, digital e com ticket médio superior ao dos apostadores de futebol, NFL ou NBA.
Um perfil que as operadoras ainda não servem plenamente
Os dados pintam um quadro claro: os fãs de F1 apostam, gastam acima da média e estão na faixa etária mais valiosa para as operadoras. Mas o ecossistema de apostas da F1 não está à altura deste perfil. A oferta é limitada, os mercados são pouco profundos e a experiência de aposta não explora a riqueza de dados que o desporto gera. Quem aposta em F1 hoje opera num mercado subdesenvolvido — o que significa que as ineficiências são frequentes e o potencial de crescimento é enorme.
